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Marcelo Rochá

oil painter

Durante meus estudos de pinturas a óleo, seja nas aulas presenciais que tive com Alexandre Reider, George Mend, Marcus Claudio, Gilberto Geraldo, Gregg Kreutz, John Varianno, Marc Dalessio, nas aulas através de ensino a distância/videos com David Leffel, Richard Schmidt, Robert Liberace, entre outros, seja nas master copies que fiz de grande Mestres como Sargent, Sorolla, Zorn percebi que os métodos em pintura se dividiam em dois grandes mundos, os das técnicas e dos repertórios. O primeiro trata de como pintar o que você está vendo e a segunda de como pode com o seu repertório, tornar aquela assunto pictoricamente mais interessante, indo além do que você está vendo. Um bom exemplo de técnica pode ser o uso adequado de uma paleta de cores. Já um bom exemplo de repertório seria como alterar a composição do que está vendo para tornar a pintura mais interessante.

 

Antes de entrarmos nas técnicas e repertórios, é muito importante compreender que o meu entendimento da pintura é bastante amparado no que considero a contra-intuitividade da pintura ou que pode ser entendido também como um abordagem indireta. Com o tempo compreendi que tudo ou quase tudo que é feito de uma forma indireta ou contra-intutiva tem um resultado mais interessante, por exemplo; a forma intuitiva de chegar a um tom cinza, seria na mistura de branco com preto, mas o Alizarim com algum verde escuro como Viridian, SAP Green gera um cinza “colorido” muito mais interessante. Outro exemplo; a forma intuitiva, natural para pintar um assunto seria ter a visão mais nítida possível daquele objeto, porem na pintura ver menos, ver embaçado, cerrando os olhos vai fazer enxergar melhor o que é realmente importante como os valores corretos e até mesmo entendendo o assunto mais em formas e menos em linhas.

 

Por último importante explicar que também entendo que não há certo ou errado na pintura, mas há o que para mim funciona melhor, o jeito que eu gosto de como uma pintura fique.

 

 

Técnicas

 

Paleta para tons de pele

Utilizo a paleta de Anders Zorn para tons de pele, mais conhecida como a paleta de Zorn. Esta paleta é composta somente 3 cores, Ivory Black, Cadmium Red e Yellow Ochre adicionando algum branco como Titanium White por exemplo para variações de valores. As variações de tons nos retratos são muito sutis e simplicidade desta paleta deixa o resultado mais harmônico e facilita muito a execução. Com tão poucas cores rapidamente você passa a ter um domínio completo das possibilidade de combinações aqui que são realmente impressionantes, talvez principalmente pelo Ivory Black que é bastante azulado, ou seja com ele você consegue azuis misturando com branco e verdes se misturado com Yellow Ochre e Branco.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Paleta para assuntos que não sejam tons de pele

Aqui utilizo a paleta do Richard Schmid com pequenas variações. Esta peleta é completamente explicada no Livro do Richard Schmid "Alla Prima" e neste link você pode obter algumas informações a respeito também   https://www.richardschmid.com/Articles.asp?ID=253

Quando se fala da paleta de cores para tinta oleo é de fundamental importância entender que as cores são divididas entre as quentes ou frias e entre as opacas ou transparentes. 

 

  • Cadmium Lemon (é uma amarelo frio e opaco, muito vibrante)

  • Yellow Ochre (extremamente opaco, um pouco quente, tem um fundo acizentado que pode ser perigo mas tem uma luz muito bonita com branco para highlights)

  • Cadmium Yellow Deep (se utilizar o da Winsor & Newton é bem alaranjado como na foto acima, quente e opaco) 

  • Cadmium Red (cor primaria fundamental quente e opaca)

  • Alizarin Crimson (apesar de ser um vermelho, ele é frio e transparente)

  • Transparent Oxide Red (Quente e transparente é uma cor chave para os tons mais escuros. Utilizo muito na imprimatura também)

  • Viridian (Frio e transparente)

  • Cobalt Blue (Frio e semi transparente é o azul mais claro da paleta e também o pigmento mais caro desta paleta)

  • Ultramarine Blue Deep (Frio e transparente cor chave para pretos transparentes juntamente com Transparente Oxide Red, Viridian, Alizarin…)

  • Titanium White (Branco opaco)

 

 

Bastante tinta desde o começo

"Não tenha medo de colocar muita tinta no início do trabalho. Depois de colocar tinta suficiente, você pode empurrá-la para gerar texturas interessantes e bordas difusas. No final do dia, a principal diferença entre uma pintura e um desenho colorido é a quantidade de tinta usada"(Por John Singer Sargent).

Trabalhar com bastante tinta principalmente desde o começo exige uma boa experiência e as vezes necessita uma raspagem completa e recomeçar pois não é fácil. Compreendo que nem sempre o trabalho precisa começar com bastante tinta, mas ele deve terminar com bastante tinta. Uma técnica muito boa e muito utilizada é começar bem diluído e magro (sem oleo) com cores transparentes principalmente e ir carregado de tinta, opacas também conforme o trabalho evolui. 

 

Cuidado com Solvente

"Muitos pintores contemporâneos usam muito solvente enquanto trabalham. Isso evita que o pigmento se acumule de maneira agradável. O simples toque de solvente no final de uma sessão fará com que uma passagem de tinta lindamente em camadas, desmorone, deixando para trás um fino novelo de cor acinzentada". (Por John Singer Sargent)

O solvente ou algum tipo de medium além do descrito por Sargent vai atrapalhar também se existe a intenção de utilizar bastante tinta. Talvez o interessante seja diminuir a utilização dos solventes e médiuns nos estágios mais finais da pintura.

 

Recuando com frequência

"Aqueles que assistiram a pintura de Sargent em seu estúdio foram lembrados de seu hábito de recuar depois de quase todo toque do pincel na tela, e os rastros de seus passos tão desgastados no tapete que sugeriam uma ovelha percorrendo o campo “. (By Thomas Jefferson Kitts) 

É uma das técnicas mais importante junto com “cerrar os olhos” pois você vai conseguir ver melhor o trabalho como um todo, sem atenção nos detalhes, inclusive para melhorar desenho e valores. Se não há espaço suficiente em seu estúdio para se afastar 2, 3 metros da pintura, um espelho na parede oposta a da pintura vai ajudar bastante, tanto para ver a distancia quando para ver invertido. 

 

Vendo diferente

Com tanto tempo olhando para a tela, os olhos ficam “viciados” naquela figura e muitas vezes com dificuldade de enxergar o todo, ou de encontrar alguma oportunidades de melhoria. Algumas técnicas para corrigir isto são, usar um espelho para ver a figura invertida, colocar a tela de ponta cabeça ou no caso de retratos, tampar a metade direita e esquerda do rosto com uma folha ou mesmo com a mão, assim é possível perceber uma eventual variação no “caracter” do retratado de um lado do rosto para o outro, corrigindo-o se necessário.

 

Vendo só o que importa

Talvez a técnica mais importante de todas, cerrar os olhos para ver o que realmente importa. Vai ajudar a entender melhor os volumes que são significativos inclusive para o desenho. Também vai ajudar muito a compreender os valores de forma correta. Nos últimos estágios da pintura se o objetivo for entrar em pequenos detalhes, o uso desta técnica pode ser diminuída. Para a compreensão melhor desta técnica e talvez para uma “calibração” da mesma, em um dia de sol olhe diretamente para dentro da sua sobra projetada no chão ou em uma parede e então cerre, aperte os olhos (eu prefiro fazer com um olho só) e verá como o valor da sua sombra ficará um pouco mais escuro e os detalhes irão sumir. Assim deverá ser pintado, pois este valor mais escuro da sombra fará com que a sua área de luz fiquem mais claras, sem que a mesma seja alterada. Com a ausência dos detalhes você compreenderá melhor a forma como um todo, facilitando no desenho também. Uma outra técnica que funciona bem que aprendi com Marc Dalessio é que, para definir o valor adequado de uma área, olhe para uma outra área próxima com valor diferente e com a visão periférica compare os valores entre os dois. Volte para o primeira e faça isto agora com a outra área, também usando a visão periférica. 

 

Na ponta no pincel 

Segurando o pincel pela ponta oposta a das cerdas e não no meio ou próximo as cerdas fará com que os traços fiquem mais decididos, elegantes e diretos o que é basicamente é o método “Bravura” de pintar, muito percebido nos trabalhos de Sargent. O movimento com o pincel deve ser feito preferencialmente com o braço e não com a mão/punho. Pintando desta forma e com o braço parcialmente esticado te manterá mais distante da tela e ajudar a enxergar o todo. Ótima oportunidade para combinar esta técnica com a de cerrar os olhos. Segurar o pincel como uma caneta é mais adequado para pincéis pequenos se for necessário para algum tipo de detalhe ou mesmo para trabalhos pequenos como em sketchbooks.

 

Pintar de pé

Pintar de pé é recomendado pois sentado terá dificuldade de se afastar da tela constantemente combinado com a técnica de cerrar os olhos. Há relatos de que Sargent se afastava da pintura a quase toda pincelada.

 

Misturando tintas

Misturar muito a tinta na paleta antes de aplica-la na tela pode torna-la acinzentada, “queimar” o pigmento. Misturar um pouco te tinta diretamente na tela pode trazer um efeito interessante. As vezes também pode ser importante limpar completamente a pelada e pincéis durante o processo, se notar que os pigmentos estão se misturando com outros indesejáveis trazendo um aspecto acizentado ou de lama.

 

Pintar seguindo a forma

Enquanto estiver pintando pense sempre na forma da área que está pintando, para onde aquela forma está virada ?  Para frente, para o lado, para cima ? Pense como um escultor. Com este entendimento aplique a pincelada que faça aquela superfície 2D ter um aspecto 3D pois é sempre isto que estamos pintando, representando em uma superfície 2D objetos tridimensionais. Pense como se estivesse esculpindo tal forma. 

 

Pincel grosso pintor fino, pincel fino pintor grosso

Sargent, Sorolla, Zorn pintavam muito em óleo com grandes pincéis e faziam formas com poucas e certeiras pinceladas. Inclusive é possível fazer detalhes com pincéis grandes, como exemplo com os pincéis tipo Filbert de boas marcas e bem “afiados”. Totalmente alinhado com a teoria da contra-intuitiva pois naturalmente somos tentados a usar os pincéis menores. Talvez seja uma das técnicas mais difíceis de se aplicar. Será que não ter pincéis pequenos a disposição é uma solução ? Apesar do descrito na introdução do tema, existe pintores excelentes que fazem trabalhos não hiperrealistas e que trabalham majoritariamente com pincéis pequenos, mas realmente acredito que há mais ganhos com pincéis maiores.

 

A solução está ao redor

Problema muito freqüente onde temos uma área para resolver e focamos nela, mas a solução dela pode não estar nela, mas no que está ao redor dela, ou seja, o que você entendia como um problema na verdade estava resolvido, mas o entorno dela fazia achar o contrário. Por exemplo você pode clarear uma área alterando o valor do que está em volta desta área sem mexer nela própria (contra-intuitivo novamente).

 

Branco perigoso

O branco é muito perigoso pois tendemos a clarear tudo, abordando os highlights antes da hora ou muitas vezes usando branco ao invés das cores claras mais vibrantes como os amarelos. Isto vai tornar o trabalho engessado, claro mas apagado, ou as vezes até acizentado ou pastel no excesso de branco misturado com outras cores. Lembre-se que a luz é feita de cores, luzes quentes ou frias.

 

Highlights

Erro muito comum, nunca há um highlight em uma borda, exemplo, se olhar para uma caneta posicionada horizontalmente o highlight estará cortando a caneta horizontalmente no meio dela ou em alguma posição próxima da borda, mas nunca na borda. A aplicação correta deste entendimento fará com que a forma tenha uma profundidade, sensação 3D. Só existe uma exceção para esta situação, quando a luz vem do fundo em direção ao observador, passando pelo objeto. Neste caso há um highlight que envolve o objeto, por fora da sua forma, conhecido como rim light.

 

Lógica da Luz

As áreas mais claras, muitas vezes a áreas de highlight seguem uma lógica, uma linha, uma continuidade. Aquela área mais clara por exemplo que acontece sobre a sobrancelha, continua sobre a pálpebra e vai por exemplo até pouco abaixo do olho. Importante compreender porque esta luz ocorre ali e qual é a continuidade dela. David Leffel por exemplo gosta de fazer um “corte” de luz na sobrancelha para reforçar esta lógica ou esta continuidade da luz na parte de cima e debaixo da sobrancelha. Gregg Kreutz costuma dizer que a luz é liquida. É uma boa analogia como se a luz escorresse, ou seja ela não ocorre só naquela área, ela tem continuidade ela tem conexões. Outro exemplo, sobre a testa á uma grande área plana então a luz liquida fica ali depositada. Já em uma pessoa careca a área superior da cabeça não é plana então não existe tanta iluminação quanto na testa, somente os highlights.

 

Time da luz e da sombra

No trabalho do David Leffel e do Gregg Kreutz que é muito inspirado em Rembrandt, eles gostam de dividir bem os times das luzes e das sombras. O time do meio, os meios tons certamente acontecem e são fundamentais para a sensação de profundidade, mas eles são uma transição entre os times das luzes e sombras, muitas vezes pintados indiretamente, integrando a tinta da luz e da sombra já depositada previamente, as vezes até com um pincel seco. Por isto antes de começar é importante dividir bem os dois times, saber exatamente onde eles ocorrem e aonde ocorrerá a transição.

 

Sempre buscar os verdes e vermelhos

As maioria das transições de valores e temperatura que geram os efeitos tridimensionais dos objetos, a profundidade desejada, acontecem com os verdes e vermelhos. Por isto é importante sempre perseguir estas cores nas pinturas, inclusive nos retratos. Estas transições são eventos sutis no mundo real mas na pintura irão trazer a profundidade. 

 

Borda dura e suave

Talvez a técnica mais importante para trazer profundidade e sensação 3D para a pintura. Sempre observar onde as bordas ocorrem duras ou são macias. Muitas vezes a borda começa dura e vai se tornando macia até sumir, talvez esta transição inclusive ocorra juntamente com uma transição de valor. Acredito que aqui é onde o pintor deve abusar talvez tornando a borda mas dura ou mais macia do que o real. Isto vai “torcer” a pintura de uma forma trazendo muita profundidade e dramaticidade. 

 

 

[Repertório]

 

Sombras simples

Conforme David Leffel diz, somente os pintores olham para dentro das sombras, as pessoas “normais” olham para a luz. Se você começar a olhar muito para dentro de uma sobra, como exemplo uma sobra embaixo do queixo, no pescoço e sem cerrar os olhos, os valores ali ficarão mais claros e você enxergará vários detalhes que irão competir com as areas claras do assunto. Pinte as sombras o mais simples possível e cerrando os olhos para compreender melhor os valores.

Integrações

Procure uma oportunidade para integrar o fundo da pintura com o assunto, exemplo alguma área do cabelo, roupa etc. Sombra do pescoço com o fundo. Isso irá trazer dramaticidade e profundidade ao trabalho.

 

Pescoço sempre mais escuro

Nos retratos de pessoas, faça o pescoço sempre mais escuro do que o real. Isto vai dar mais profundidade no trabalho e trazer o rosto para a frente, mesmo o rosto e o pescoço tendo o mesmo valor no modelo.

 

Não seja explicito

Acredito que o nosso cérebro gosta de fazer conexões, de resolver as coisas, como se fosse um jogo de quebra cabeça e isto acontece quando com uma pintura você dá ao espectador a oportunidade de resolver aquela questão. Por exemplo, se no inicio de um retrato você pinta o lábio superior e pintar somente a sombra projetada do lábio inferior, o aspecto pictórico é muito mais interessante do se pintasse diretamente o lábio inferior ou os seus contornos.

 

Um lado duro outro suave

Na pintura de um retrato fazer um lado do rosto com bordas mais duras, principalmente a voltada para a luz e a extremidade oposta com bordas mais suaves irá trazer profundidade de dramaticidade ao trabalho.

 

Linhas retas

Ao invés de fazer um formato circular da pintura ou desenho com linhas completamente circulares, se usar pequenas retas que a distancia farão aquele objeto circular, deixar a pintura ou desenho mais interessante. 

 

Sempre esquentar

Principalmente para pinturas de paisagem procure esquentar as cores, valores mais quentes do que o natural.

 

Acidentes felizes

Acidentes durante a pintura acontecem e as vezes eles são acidentes felizes. Fique atento para não perder a oportunidade de deixa-los lá. 

 

Ponte sobre o nariz

Quando for pintar o nariz, pinte um ponte sobre ele e que vai até logo abaixo dos olhos com o mesmo valor e temperatura, uma conexão. A partir dai altere conforme necessário os valores e temperaturas no nariz e nas áreas que estão envolta dele. Com isto vai existir uma conexão clara entre o nariz e o que há envolta dele, trazendo mais profundidade para a pintura. Mais abaixo link para video do David Leffel onde isto fica bem claro.

 

 

[Outros temas]

 

 

Frustração

Segundo Marc Dalessio, a habilidade de ver o que deve ser pintado sempre vem antes da capacidade de pintar o que se passou a ver. Neste momento a frustração é gerada. Porem a partir do momento em que se adquire a técnica para pintar o que se viu, então é o momento de realização e assim por diante. Portanto a frustração é parte intrínseca do processo de aprendizagem. Acredito que é importante compreender bem este processo inclusive para buscarmos aprendizado e a evolução técnica. Veja link abaixo

https://images.marcdalessio.com/wp-content/uploads/2010/01/17123819/improvement2.jpg

 

 

Videos de pintura que gosto

Video que me levou para a The Art Students League e escolher do Gregg Kreutz como professor. Perceba a abordagem inicial sem linhas de desenho mas com volumes.

https://www.youtube.com/watch?v=AMeb2ptOrw0&list=PLb0HxOzxmtSNl4lkwf0QCe6FrTjpsfRvZ&index=4

 

Video do David Leffel onde fica bem claro o método de pintura da ponte sobre o nariz. Veja a profundidade que ele consegue nesta área do nariz.

https://www.youtube.com/watch?v=EnZdE4dQvR8&list=PLb0HxOzxmtSNl4lkwf0QCe6FrTjpsfRvZ&index=12

 

Video do Nelson Shank que uso para me inspirar muitas vezes. Gosto do jeito solto como ele aborda e da musica também. 

https://www.youtube.com/watch?v=OVu7WaxaSOo&list=PLb0HxOzxmtSNl4lkwf0QCe6FrTjpsfRvZ&index=3

 

Mais um video “motivacional” agora do Robert Liberace. Jeito solto e boa musica.

https://www.youtube.com/watch?v=AIBDoRjU-vM&list=PLb0HxOzxmtSNl4lkwf0QCe6FrTjpsfRvZ&index=6

 

Lindos trabalho da Sherrie McGraww, esposa do David Leffell

https://www.youtube.com/watch?v=YASsVgYuhqo&list=PLb0HxOzxmtSNl4lkwf0QCe6FrTjpsfRvZ&index=10

https://www.youtube.com/watch?v=P-mgr0KMa2k&list=PLb0HxOzxmtSNl4lkwf0QCe6FrTjpsfRvZ&index=17

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